domingo, 29 de junho de 2014

Atendimento Educacional Especializado: mudanças e desafio na educação




 O atendimento educacional especializado decorre de uma nova visão da Educação Especial sustentada legalmente, a partir da Constituição de 1988 e dos princípios de uma educação escolar inclusiva, deixando de ser uma terminologia diferente para designar a Educação Especial e passou a ser de fato, o grande desafio. Trata-se de uma nova proposta, que marca uma grande virada no entendimento que a Educação Especial propiciará em favor da inclusão, em todos os níveis de ensino.
O atendimento educacional especializado garante a inclusão escolar de alunos com deficiência, na medida em que lhes oferece o aprendizado de conhecimentos técnicos, utilização de recursos informatizados, enfim, esse atendimento é mesmo necessário e imprescindível para que sejam ultrapassadas as barreiras que certos conhecimentos, linguagens, recursos representam para os alunos com deficiência possam aprender nas salas de aula comuns do ensino regular. Esse atendimento não é facilitado e sim facilitador, não é adaptado, mas permite ao aluno adaptar-se às exigências do ensino comum, não é substitutivo, mas complementar ao ensino regular.
Com efeito, o atendimento educacional especializado não é ensino particular, nem reforço escolar. Ele pode ser realizado em grupos, porém atento para as formas especificas de cada aluno se relacionar com o saber. Isso não significa atender a esses alunos formando grupos homogêneos com o mesmo tipo de problema (patologias) e/ou desenvolvimento. Ao contrário, os grupos devem se constituir obrigatoriamente por alunos da mesma faixa etária e em vários níveis do processo de conhecimento.
Para possibilitar a produção do saber e preservar sua condição de complemento do ensino regular, o atendimento educacional especializado tem de estar desvinculado da necessidade típica da produção acadêmica. Devem ser oferecidas situações envolvendo ações em que o próprio aluno teve participação ativa na sua execução e/ou façam parte da experiência de vida dele. Quando o atendimento educacional permite que o aluno tragar a sua vivência e que se posicione de forma autônoma e criativa diante do conhecimento, o professor sai do lugar de todo saber. Se o professor assume o lugar daquele que sabe tudo e oferece todas as respostas para seus alunos, o que é muito comum nas escolas, principalmente na prática da Educação Especial, ele reforça a posição de débil e de inibição, não permitindo que o aluno se mobilize para adquirir/construir qualquer tipo de conhecimento.
Esta nova função da Educação Especial muda muita coisa, principalmente a formação dos professores especializados, que precisa ser urgentemente revista e adequada ao que esse profissional deve conhecer para desenvolver práticas educacionais próprias do atendimento educacional especializado.
As ações para consolidação do AEE exigem firmeza e envolvimento de todos os que estão se empenhando para que as escolas se tornem ambientes educacionais plenamente inclusivos. A saída adotada pelos que colocam sua capacidade criadora para inovar, romper velhos acordos, resistências e lugares eternizados na educação é a possibilidade de inventar o cotidiano. É a determinação e um forte compromisso com a melhoria da qualidade da educação brasileira que está subjacente a todas essas mudanças que estão propostas pela Política atual da Educação Especial.
Enfim, pode-se buscar ainda mais razão para uma escola de todos, com o pensar de Ítalo Calvino, escritor do século 20 que em seu texto “O modelo dos modelos” nos sugere a dissolver os modelos, ou até mesmo dissolver-se a si próprio, desta forma apagando da mente os modelos e os modelos de modelos.


Referências



BRASIL. Ministério da Educação. Polótoca Nacional de Educação Especial na Perspectiva de Educação Inclusiva. MEC/SEEESP, 2008.



RAPOLI, Edilene aparecida. Etal. A Educação Especial na Perspectiva da Inclusão Escolar: a escola comum inclusiva. Brasilia: Ministério da Educação, Secretaria de Educação Especial; [Fortaleza]:Universidade Federal do Ceará, 2010.

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