domingo, 20 de abril de 2014

Diferença entre Surdocegueira e Deficiência Múltipla (DMU)



Pessoa com Surdocegueira


Denomina-se surdocego aquele que possui dificuldades visuais e auditivas, independente de sua quantidade.
A surdocegueira apresenta graus diferentes, podendo ser:
- Surdocego total: ausência total de visão e audição.
- Surdocego com surdez profunda associada com resíduo visual.
- Surdocego com surdez moderada ou leve com cegueira.
- Surdocego com perdas leves, tanto auditivas quanto visual. (MAIA, 2011)
De acordo com o período em que surge a surdocegueira, ela pode ser definida como: surdocegueira congênita – quando a criança nasce surdocega ou adquire a surdocegueira nos primeiros anos de vida antes da aquisição de uma língua (português ou Libras-Língua Brasileira de Sinais).
Surdocegueira adquirida – quando a pessoa ficou surdocega após a aquisição de uma língua, seja sinalizada ou oral.
Para McInnes (1999), a surdocegueira congênita e surdocegueira adquirida, dependendo da idade em que se estabeleceu pode-se classifica-las em surdocegos pré-linguísticos ou surdocegos pós-linguísticos.

Pessoa com Deficiência Múltipla


São consideradas pessoas com deficiência múltipla aquelas que têm mais de uma deficiência associada, de ordem física, sensorial, mental, emocional ou de comportamento social. É uma condição heterogênea que identifica diferentes grupos de pessoas, revelando associações diversas de deficiências que afetam mais ou menos intensamente o funcionamento individual e o relacionamento social (MEC/SEESP, 2002). Contudo, o que caracterizam a múltipla deficiência não é o somatório dessas alterações, mas sim o nível de desenvolvimento, as possibilidades funcionais de comunicação, interação social e da aprendizagem que determinam as necessidades educacionais dessas pessoas.
Nesse sentido, são consideradas pessoas com deficiência múltipla sensorial-visual (MDVI), quando há a Deficiência Visual (baixa visão ou cegueira) associada a uma ou mais deficiências (intelectual, física/motora) ou a transtornos globais do desenvolvimento e distúrbios de comunicação e que necessita de programas que favoreçam o desenvolvimento das habilidades funcionais dessas pessoas visando ao máximo sua independência e uma comunicação eficiente (MAIA, et al, 2008).
Consoantes esses mesmo autores, são considerados pessoas com deficiência múltipla sensorial-auditiva (MHI) quando há deficiência intelectual ou deficiência físico/motora ou a ambas ou a Transtornos Globais do Desenvolvimento.

Necessidades específicas das pessoas com surdocegueira e com Deficiência Múltipla.

 

Favorecer o desenvolvimento do esquema corporal da pessoa com surdocegueira ou com deficiência múltipla é de extrema importância para que a pessoa possa se auto perceber e perceber o mundo exterior. Devemos buscar a sua verticalidade, o equilíbrio postural, a articulação e a harmonização de seus movimentos; a autonomia em deslocamentos e movimentos; o aperfeiçoamento das coordenações viso motora, motora global e fina; e o desenvolvimento da força muscular. Outrossim, precisam aprender a usar as duas mãos como tentativa de minorar as eventuais estereotipias motoras e pela necessidade do uso de ambas para o desenvolvimento de um sistema estruturado de comunicação, Podem ainda apresentar a necessidade de cuidados de saúde especiais. Dessa forma, suas necessidades podem ser assim classificadas em: sensoriais, motoras, cognitivas e emocionais.

Comunicação


A comunicação com pessoas com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla ocorre nas formas receptiva e expressiva para que a mesma favoreça a eficiência da transmissão e interpretação.
Comunicação receptiva – a informação pode ser recebida por meio de uma pessoa, rádio ou TV, objetos, figuras, ou por uma variedade de outras fontes e formas. Esta ocorre por meio da fala, escrita, Libras, etc. A comunicação receptiva requer que a pessoa que está recebendo a informação forme uma interpretação equivalente com a mensagem de quem enviou, tentou passar.
Comunicação expressiva – a pessoa que comunica passa a informação para outra pessoa por meio do uso de objetos, gestos, movimentos corporais, fala, escrita, figuras e muitas outras variações.
Inicialmente, crianças com surdocegueira e/ou com deficiência múltipla que não se comunicam pela fala, utilizam a comunicação expressiva, ou seja, através de expressões naturais, tais como, movimento do corpo, sorriso, choro, gritos, rolar, apontar, toque, bocejar, voltar a lugares, pistas de cheiro, etc.
A pessoa que nasce com surdocegueira ou que fica surdocega, precisa da mediação de comunicação para poder receber, interpretar e conhecer o que lhe cerca.
Seu conhecimento do mundo se faz pelo uso dos canais sensoriais proximais, ou seja, pelo tato, olfato, paladar, movimentos, equilíbrio e posição corporal.
Na deficiência múltipla, a pessoa sempre terá o apoio de um dos canais distantes, visão e/ou audição, como ponto de referência, visto que, ao longo da vida, esses dois canais são responsáveis pela maioria do conhecimento que vamos adquirindo.